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Ela brilha no Rhône Norte, mas convida a degustar os bons custo-benefícios do Rhône Sul

Por Suzana Barelli, especial para o Sonoma Market

A cidade de Shiraz, na Pérsia antiga, era importante para o comércio, inclusive dos vinhos, o que levou muitos a acharem que a origem da uva Syrah fosse nesta região, hoje território iraniano. Siracusa, na italiana ilha da Sicília, também foi considerada um provável território para a origem da variedade, nos tempos do imperador romano Marco Aurélio. O fato é que muito foi especulado sobre a origem desta cepa, que sempre brilhou no norte do Rhône, mas atualmente faz sucesso também em vinhedos de clima quente, como o Alentejo, em Portugal, ou frio, como os vales chilenos. Sem falar na Austrália, onde chegou no ano de 1832 pelas mãos do escocês James Busby, ganhou fama e também a grafia de Shiraz.

Os exames de DNA do final do século passado, no entanto, acabaram com esta polêmica, ao comprovarem que a uva é originária do próprio Rhône, que é a segunda maior região vitivinícola francesa, atrás apenas de Bordeaux. Ela nasceu de um cruzamento espontâneo entre a Mondeuse Blanche, uva branca da região de Savoie, e a Dureza, tinta originária do Rhône. Não é à toa que a Syrah brilha em seu berço, os vinhedos do norte do vale do Rhône. É lá que ela dá origem aos grandes Hermitage e Côte Rôtie, às vezes mesclada com pequenas porcentagens da branca Viognier.

Brilha não apenas no Rhône Norte, aliás. A crítica inglesa Jancis Robinson, em seu livro "Wine Grapes", escreve que um aumento das exportações australianas, uma moda para todas as coisas do Rhône e um certo tédio com uvas de Bordeaux combinaram para incentivar o plantio generalizado da variedade pelo mundo. São fatos que marcaram, sim, os primeiros anos do século 21. Isso fez da variedade uma alternativa interessante para quem gosta de tintos mais complexos, mas quer sair um pouco do reinado da Cabernet Sauvignon e que fizeram explodir a quantidade de vinhedos com a variedade. Ainda segundo este livro, a área de vinhedos apenas franceses cultivado com a variedade pulou de 1,6 mil hectares, em 1958, para 68,6 mil hectares em 2009.

E que convida também a se voltar para o seu território de origem. Se no Rhône Norte, a variedade brilha sozinha, quase onipresente, no chamado Rhône Sul, onde estão os grandes achados dos tintos desta região, a Syrah mostra o seu potencial para mesclas com as demais variedades. É lá que ela se encontra com a Grenache e com a Mourvèdre (esta também conhecida como Monastrell), principalmente, mas também com a Cinsault e a Carignan.

O clima mais quente do Rhône Sul nem sempre é propício ao amadurecimento da Syrah, que às vezes se ressente deste calor, mas sua presença nos blends traz estrutura e elegância aos vinhos locais. Assim conforme a localização do vinhedo, a Syrah irá contribuir com as notas de couro e especiarias (principalmente pimenta), quando cultivada em sub-regiões de clima mais fresco, ou com aquelas notas de frutas escuras bem maduras e até um toque de chocolate, quando colhida bem madura, nas sub-regiões mais quentes.

A Syrah é também uma das 18 uvas autorizadas para o blend do Châteauneauf-du-Pape, talvez a mais conhecida entre as denominações de origem do sul do Vale do Rhône, com seus tintos bem estruturados. No sul do Rhône chama atenção que a Syrah aparece em maiores proporções nos tintos de melhor qualidade, nos blends com as clássicas variedades locais. Ela se faz presente também nos vinhos batizados com a sigla GSM. Estas três letras significam um tinto de mescla, elaborado com a Grenache, a Syrah e a Mourvèdre.

A Syrah é ainda uma das variedades a tirar partido do Mistral, o vento que ajuda a moldar o clima local. Ele sopra numa velocidade de até 100 km/h, em geral do inverno até o início da primavera. Tem o poder de manter o céu sem nuvens e os vinhedos sem fungos, já que evita a umidade que estes pequenos seres tanto gostam.

E esta é apenas a história da Syrah em seu território de origem. Contar a história da variedade pelos vinhedos mundo afora daria um livro, um bom livro.

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